Minha experiência de resenhar o álbum Lux, da Rosalía, para a PopMatters
OBS.: Esse “artigo” é uma adaptação de uma legenda de um post do Instagram pessoal da escritora, de 13 de novembro de 2025.
Às vezes, eu me pergunto se um escritor só pode ser tão bom quanto o objeto de sua escrita.
Quase sempre concluo que não. Já li textos que achei brilhantes sobre obras que achei medíocres, por exemplo (e o contrário também).
Mas pra quem escreve sobre música, alguns artistas, álbuns, músicas nos inspiram de uma forma diferente. Os textos que nascem daí acabam se tornando alguns dos nossos preferidos.
~La Rosalía~ tem sido uma dessas artistas pra mim; e o Lux, último álbum dela, despertou essa vontade gostosa de criar uma obra sobre uma obra, como se o próprio fato de essa obra despertar vontade de escrever sobre ela já fosse, sozinha, uma prova de que é uma obra muito interessante.
Na verdade, é mais que isso: é também uma ânsia de caçar palavras para tentar criar uma obra brilhante sobre uma obra brilhante.
(Acho que ainda gosto mais do texto que fiz para a PopMatters sobre Motomami, o álbum anterior da Rosalía… não pela pretensa intelectualidade da “tese” maior que estruturou o texto, mas porque o álbum me fez enxergar uma, espontaneamente, nas escolhas criativas da Rosalía.)
Pode ser que o meu texto sobre o Lux, último álbum dela, seja mais um texto medíocre sobre uma obra brilhante também.
Isso não importa muito.
Mais importam pra mim esses momentos em que algo nos desafia a ter algo relevante a dizer – algo que já não foi dito ou que não seja meramente descritivo; ou, pior ainda, algo que não se resuma a recorrer ao “indescritível”. “Indescritível” é uma expressão quase criminosa para ser usada por uma escritora.
Por isso, escrevemos.
Escrever é ser arrogante o suficiente para contrariar o lugar-comum de que algumas coisas não precisam ser explicadas e apenas sentidas. A crítica musical é arrogante, e é por isso que, mesmo perdendo relevância, ela não morre.
A crítica musical é, por natureza, egocêntrica. É escolher a voz de outra pessoa para poder ter voz.
É egocêntrica como esse post, inclusive.
